ENARG – Estude na Argentina Uncategorized Futura(o) médica(o) muito obrigado!

Futura(o) médica(o) muito obrigado!

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Nós da ENARG ASSESSORIA, agradecemos a todos vocês por seguirem o sonho de ajudar o próximo. Esse momento mostra que vocês serão a linha de frente contra os possíveis problemas no futuro. Não desistam jamais dessa profissão. Deixamos para vocês os conselhos de Esculápio para seu filho. Aproveite a leitura!

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“QUERES SER MÉDICO, MEU FILHO?

Essa aspiração é digna de uma alma generosa, de um espírito ávido pela ciência. 


Desejas que os homens te tomem por um deus que alivie seus males e lhes afugente os temores? Mas, pensaste no que se transformará a tua vida? Terás que renunciar à vida privada: enquanto a maioria dos cidadãos pode, terminado o trabalho, isolar-se dos aborrecimentos, a tua porta estará sempre aberta a todos. A qualquer hora do dia e da noite virão perturbar o teu descanso, o teu lazer, as tuas meditações; já não terás horas para dedicar à tua família, aos amigos, ao estudo; em suma, já não te pertencerás. 


Os pobres, acostumados a sofrer, te chamarão apena em caso de urgência; mas os ricos te tratarão como um escravo encarregado de remediar os seus excessos: ou porque têm uma indigestão ou porque estão resfriados. Farão com que te acordem a toda a pressa assim que sintam a menor inquietude, pois estimam muitíssimo a sua própria pessoa. Terás de mostrar interesse pelos detalhes mais comuns da sua existência, decidir se devem comer carne ou peixe, se lhes convém andar deste ou daquele modo. Não poderás ir ao teatro nem ficar doente; terás que estar sempre pronto a acudir ao teu amo quando chamado. 


Eras rigoroso na escolha de teus amigos? Procuravas o convívio de homens de talento, de artistas e de espíritos dedicados? Agora, não poderás banir os enfadonhos, os pouco inteligentes, os presunçosos, os desprezíveis. O malfeitor terá tanto direito aos teus cuidados como o homem honesto; prolongarás vidas nefastas e o sigilo da tua profissão te proibirá de impedir ou denunciar ações indignas das quais serás testemunha.


Acreditas que com o trabalho honrado e o estudo atento poderás conquistar uma reputação? Tem sempre presente que não te julgarão pelas tuas qualidades e ciência, mas sim pelas casualidades do destino, pelo corte da tua roupa, pela aparência da tua casa, pelo número dos teus criados, pela atenção que dedicas às tagarelices e gostos da tua clientela. Uns desconfiarão de ti por usares barba, outros por vires de longe, outros por acreditares nos deuses, outros por não acreditares neles. Teu vizinho, o açougueiro, não te confiará a sua clientela se tu não fores seu cliente, e o mesmo ocorrerá com o dono da mercearia e com o sapateiro; o dono do herbanário não te elogiará a não ser que tu receites suas ervas. Terás de lutar continuamente contra as superstições dos ignorantes, pois não há um atendente que não seja capaz de dar conselhos a um doente.


Aprecias a simplicidade? Terás que adotar a atitude de um profeta. 


És ativo? Sabes quanto vale o tempo? Não poderás contudo demonstrar enfado ou impaciência: terás que suportar relatos que começam no início dos tempos apenas para explicar simples cólicas e os ociosos virão ver-te pelo simples prazer de tagarelar. Serás o cano de despejo para as suas mínimas vaidades. 


És fortemente comprometido com a verdade? Agora, não poderás dizê-la. Terás que ocultar a alguns a gravidade de seus males e a outros a sua insignificância, pois isso os aborreceria. Terás de guardar segredos que te são confiados, consentir em parecer tolo, ignorante, cúmplice.


Embora a medicina seja uma ciência obscura, que os esforços de seus discípulos vão iluminando de século para século, não te será permitido duvidar nunca, sob pena de perderes todo o crédito. Se não afirmares conhecer a natureza de uma doença, que possuis um remédio infalível para curá-la, o povo te trocará pelos charlatães que vendem a mentira de que necessita. 


Não contes com o agradecimento de teus enfermos. Quando se curam, terá sido por sua própria robustez; se morrem, fostes tu o culpado. Enquanto estão em perigo, tratam-te como a um deus: suplicam-te, exaltam-te, enchem-te de elogios. Assim que começam a convalescer, já os estorvas. Quando se lhes fala de pagar os honorários, aborrecem-se e denigrem-te. Quanto mais egoístas são os homens mais solicitude exigem.


Não penses que esta profissão tão dura te tornará um homem rico. Enfatizo-te: é um sacerdócio, e não seria decente que obtivesses lucros como faz um comerciante qualquer.


Compadeço-me de ti se a beleza te agrada: verás o mais feio e repugnante que existe na espécie humana e todos os teus sentidos serão maltratados. Terás que encostar o teu ouvido no suor de peitos sujos, respirar o odor de míseros lares, os perfumes fortes das cortesãs, palpar tumores, curar chagas verdes de pus, examinar as urinas, pesquisar os escarros, fixar o olhar e o olfato em imundícies, colocar o dedo em muitos lugares.


Quantas vezes, em belos dias ensolarados e perfumados, ao sair de um banquete ou de uma peça de Sófocles, te chamarão para atender alguém acometido de cólicas abdominais, que te apresentará um urinol nauseabundo, dizendo-te satisfeito: “felizmente tive a precaução de não jogar fora”. Lembra-te então que terás que parecer interessado por aquela dejeção.


Até a própria beleza das mulheres, consolo dos homens, se desvanecerá para ti. As verás pela manhã, desgrenhadas, desencantadas, desprovidas de suas belas cores, esquecendo sobre os móveis parte dos seus atrativos. Deixarão de ser deusas para se converterem em pobres seres afligidos por males sem alívio. Sentirás por elas menos desejo do que compaixão. Quantas vezes te assustarás ao ver um crocodilo adormecido no fundo da fonte dos prazeres!


A tua profissão será para ti uma túnica de Neso. Na rua, nos banquetes, no teatro, na tua casa mesmo, os desconhecidos, os teus amigos, os teus parentes te contarão os seus males para te pedirem um remédio. O mundo te parecerá um grande hospital, uma assembleia de indivíduos que se queixam. A tua vida decorrerá sob a sombra da morte, entre a dor dos corpos e das almas, assistindo algumas vezes ao luto de quem está destroçado por haver perdido o pai, e outras vezes, a hipocrisia daquele que, à cabeceira do agonizante, faz cálculos sobre a sua herança. 


Te será difícil conservar uma visão agradável do mundo. Descobrirás tanta fealdade debaixo das mais belas aparências que toda a confiança na vida se desvanecerá e todo o prazer  será envenenado. A raça humana é um Prometeu dilacerado por abutres. 


Te enxergarás sozinho nas tuas tristezas, nos teus estudos, no meio do egoísmo humano. Nem sequer encontrarás apoio entre os médicos que se fazem guerras surdas por interesses ou por orgulho. A consciência de aliviar males te amparará nas tuas fadigas, mas duvidarás se é correto fazer com que continuem em vida homens portadores de doenças incuráveis ou crianças enfermas que nenhuma possibilidade têm de ser felizes e que transmitirão a sua triste vida a esforços. Se tiveres prolongado a existência de alguns anciãos ou de crianças defeituosas, virá uma guerra que destruirá o mais sadio e o mais robusto da cidade. Então, te encarregarão de separar os débeis dos fortes, para salvar os débeis e enviar os fortes à morte.


Pensa bem em tudo isto enquanto há tempo. Mas se, indiferente ao destino, aos prazeres, à ingratidão; se, mesmo sabendo que ficarás só entre feras humanas, ainda tens o espírito estoico o bastante para encontrar satisfação no dever cumprido sem ilusões; se te julgas suficientemente recompensado com a felicidade de uma mãe que acaba de dar a luz, com um rosto que sorri porque já não sofre, com a paz de um moribundo a quem ocultas a chegada da morte; se anseias conhecer o Homem e penetrar toda a tragédia de sua existência, então,


TORNA-TE MÉDICO, MEU FILHO.”

Esculápio é o deus da medicina, da cura, do rejuvenescimento e dos médicos, na mitologia romana, sendo chamado de Asclépio pelos gregos. Tradicionalmente, se acredita que o autor dos Conselhos de Esculápio seria o próprio deus da medicina, que escrevera uma longa carta ao seu filho hesitante quanto a tornar-se médico. O texto certamente não foi escrito pelo deus mitológico Esculápio, sendo impossível a comprovação do seu verdadeiro autor ou da data em que foi redigido. Lembremos também que, de acordo com a mitologia, Esculápio (ou Asclépio, o deus grego original) tinha quatro filhos homens: Podalírio e Macaão, deuses protetores dos cirurgiões e dos médicos; Telésforo, deus da convalescença; e Arato, heroi grego que libertou Sicion. As filhas de Asclépio, deusas menores da medicina, eram Higeia (“higiene”), Iaso (“medicina”), Akeso (“cura”), Aglaia (“brilho saudável”) e Panaceia (“o remédio universal ou a cura para todos os males”). Podemos interpretar a utilização do nome Esculápio no texto como um simbolismo para a figura universal do médico. O substantivo simples “esculápio” é um sinônimo da palavra “médico”.

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